"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Por que virei à direita?

Sim, eu sei. Já existe um livro com o mesmo título deste artigo. Não quero plagiá-lo, mas me pareceu apenas o título mais apropriado para este ensaio.

Tendo já flertado no passado com algumas ideias de esquerda, talvez alguns pudessem se perguntar porque a critico tanto hoje. Alguns podem até dizer que o faço por conveniência e que não mantenho contato com esquerdistas por medo do contraditório e que busco apenas viés de confirmação para as minhas ideias.

Entretanto, digo por experiência própria que simplesmente não vale a pena debater com esquerdistas. Tivessem eles bons argumentos, talvez mantivesse alguns em meus círculos de relacionamentos para confrontar minhas ideias. Mas tudo que consegui até hoje foram apenas desapontamentos.

Podem até me chamar de radical de direita se quiserem. Não me importo. A questão é que o motivo de ter abandonado toda e qualquer simpatia pela esquerda é um só: a absoluta mediocridade intelectual da esquerda.

O esquerdista típico não debate com você, apenas despeja juízos de valor sobre a sua posição baseados na posição dele. Se o assunto é a reforma da previdência, ela não tentará provar que as análises sobre a insustentabilidade da previdência está errada, apenas se limitará a dizer que quem é a favor da reforma está a favor do capitalista malvadão e quer tirar o dinheiro do trabalhador. Mostre a eles um vídeo com argumentos mostrando que o boicote a países que exploram a mão-de-obra infantil apenas piora a situação dessas crianças e será acusado de ser um sociopata ou estar a serviço dos interesses dos empresários.

Até hoje, eu NUNCA vi um esquerdista capaz de fazer uma argumentação sólida e pautar seus argumentos em evidências. Você pode discutir com vários deles sobre desarmamento sem que nenhum deles traga um único dado empírico sobre algum país que viu sua criminalidade despencar depois de desarmar a população. Ou sobre algum país que tenha visto o padrão de vida do trabalhador decair por ter legalizado a terceirização. Talvez o exemplo mais emblemático seja este artigo culpando o neoliberalismo por todos os males do mundo. Uma verdadeira obra-prima no que se refere ao uso da retórica em detrimento dos fatos.

Como exemplo, cito 2 passagens do texto em especial que me chamaram a atenção. A primeira é quando o autor fala que a cobrança de juros é uma forma ilegítima de renda que apenas transfere renda dos pobres para os ricos. Em momento algum ele sequer pareceu ver a necessidade de se perguntar por que então as pessoas contraem dívidas se sabem que vão precisar pagar juros, ou do fato delas pegarem empréstimos porque têm urgências financeiras e não podem esperar poupar o bastante. Tampouco o autor parece levar em consideração a hipótese de que os bancos simplesmente iriam à falência ou se negariam a conceder empréstimos se fossem impossibilitados de cobrar juros. E, quando tais questões são levantadas por economistas e intelectuais "de direita", jamais os esquerdistas se focam em mostrar algum erro de análise ou fato equivocado. No máximo, pegam citações fora de contexto e interpretadas da forma mais porca possível para que possam denegrir a imagem do autor como se tratasse de um lunático ou um mau caráter cujas ideias nem merecessem resposta. O comportamento padrão é desmerecer a fonte como se não fosse digna de crédito algum.

Um conhecido meu disse ter percebido como a esquerda quase nunca cita fontes primárias. Há outra passagem nesse texto que mostra isso, quando ele afirma que "O consumo e o crescimento econômico são os motores da destruição do meio ambiente". Uma rápida consulta no google é capaz de refutar isto. Se fosse verdade, então os lugares mais devastados deveriam ser aqueles onde há mais crescimento econômico e mais consumo. Entretanto, dos 10 lugares mais poluídos do mundo, nenhum deles está em países desenvolvidos. Os países mais desenvolvidos da lista são Rússia e Argentina.

Na visão da esquerda, TUDO que acontecesse de ruim no mundo é culpa de alguém que quer efetivamente promover o mal, e nada parece ser deixado ao fruto do acaso ou de forças fora de nosso controle. Por exemplo, se uma vacina mata 10 crianças e salva outras 1000, então os esquerdistas irão acusar a indústria farmacêutica de só se importar com o lucro e não ligar a mínima para as vidas humanas. Se um petroleiro naufraga causando um desastre ambiental, então a culpa é do capitalismo ou da "ganância" dos empresários, apesar do fato de que o desastre tenha causado prejuízo a todos os envolvidos e sem nenhuma consideração à mera possibilidade de existir alguma tecnologia de navegação 100% à prova de acidentes, ou ao fato de que usar meios alternativos de transporte possam causar ainda mais impacto ambiental no longo prazo por dispensarem mais recursos para serem transportados.

A visão de esquerda parece se basear em uma busca quase quixotesca por heróis para se admirar e vilões para se odiar. Quase sem exceção, a sociedade ocidental é a vilã, não raro como se esta fosse a fonte de todos os vícios e de toda a maldade no mundo. Um comentário que vi esses dias sobre essa questão ilustra muito bem essa visão por beirar o absurdo. Reproduzo abaixo:

Este pensamento é velho: Se não fosse este trabalho ‘escravo’ os asiáticos estariam em uma situação pior. O cara do vídeo mostra, eu até já li o livro do Krugman. Por tras (tão atrás disto que ninguém lembra) existem dois sistemas de valores que um dia estavam em conflito, agora um domina. Os asiáticos estavam muito bem (obrigado) treinando tai chi chuam e comendo peixe cru, quando chegaram os ocidentais e falaram: vcs não são civilizados, tem um padrão de vida baixo e etc. Mas pelos valores orientais não estava tão ruim. Conversa vai conversa vem, o capitalismo criou um novo mercado consumidor, mão de obra e fonte de matéria prima. Algum tempo depois temos escravos modernos, pobreza, criminalidade alta, prostituição de crianças e toda uma rede de ideologia para que ninguém faça a pergunta proibida: sem os valores ocidentais sobre os quais o capitalismo está assentado os asiáticos não estariam melhor? Pq que tenho que consumir tanto?
Parece uma historia que teve com uns povos que moravam na ‘américa’
Em outras palavras, o que o sujeito está dizendo, implicitamente, é que o oriente era praticamente uma sociedade utópica até que os selvagens ocidentais trouxeram todos os males que afligem o continente. O fato do ocidente ter sido a primeira sociedade na história a condenar e abolir a escravidão parece ser algo de uma realidade paralela, assim como o fato dos povos orientais também terem cometido diversas atrocidades, sendo a China comunista e a Coreia do Norte os exemplos mais notáveis. Será que ele acredita, como deixa transparecer, que sequer existia pobreza no Oriente antes da chegada dos "ocidentais malvadões"?

Para qualquer um que se interesse pelo mundo intelectual e preze pelo rigor e pela honestidade intelectual, e que não seja mau caráter nem tenha rabo preso com alguma visão de mundo ou partido político, a superioridade intelectual da direita é gritante. É praticamente impossível ler autores como Sowell, Mises, Hayek e Dalrymple - entre tantos outros - , e continuar sendo um esquerdista. Eu pelo menos não conheço nenhuma exceção a esta regra. Muitos dos maiores nomes de intelectuais liberais e conservadores são, eles próprios, ex-esquerdistas.

Nelson Rodrigues disse uma vez que não há ninguém mais bobo do que o esquerdista sincero porque ele não sabe nada e apenas repete o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer. Mas mesmo isto me parece uma visão condescendente demais na minha opinião. Como não tenho rabo preso com nenhuma sensibilidade politicamente correta, vou um pouco além: sou totalmente contra a esquerda porque o esquerdista padrão é um boçal.

domingo, 19 de março de 2017

Destruindo clichês: "Violência só gera mais violência."

Um dos maiores vícios do debate moderno talvez seja o uso desmedido de clichês e slogans como substitutos para uma argumentação sólida. Isto é, frases ou provérbios de efeito que são tratados como axiomas ou verdades auto-evidentes, mas que no fundo são apenas fruto de pura preguiça intelectual e acabam apenas transformando debates sérios em discussões de pré-primário.

Nesta série, "destruindo clichês", que espero tenha vários outros textos para a frente (embora não possa prometer nada), me disponho a analisar e derrubar alguns dos mais comuns, expondo a fragilidade da sua lógica (ou falta dela) interna.

O primeiro destes é o clichê que abre o título deste artigo: "violência só gera mais violência", usado frequentemente por aqueles que defendem que o uso da força não é adequado para a resolução de absolutamente nenhum problema (principalmente desarmamentistas), sem levar em consideração as condições específicas do conflito em questão.

É possível que este clichê tenha sua utilidade para evitar brigas de crianças, como uma forma de ensiná-las a resolver suas diferenças de forma civilizado mostrando a elas que o uso da violência só tende a criar mais problemas do que solucioná-los. Mas sua utilidade - ou veracidade - termina aí.

Para explicar o problema desta lógica, é possível separar a violência em dois tipos, de acordo com sua motivação e propósito: a violência ativa, usada para demonstrar ou adquirir dominância, e a reativa, usada para auto-defesa.

O primeiro tipo é usado primordialmente para intimidar e gerar medo e expressar poder, tal como a violência praticada por gangues ou pais e cônjuges abusivos. A mensagem que esse tipo de violência tenta passar é bem clara: "eu mando neste lugar, e quem ousar se opor a mim sofrerá as consequências". O segundo tipo é essencialmente uma tentativa de resistência a esse tipo de violência, uma recusa à submissão.

Normalmente, quem se utiliza deste tipo de violência intimidatória só reconhece a linguagem da força. Isso significa que, uma vez que tudo que eles reconhecem é a força, a única coisa que eles respeitam é uma força superior. Mostrar ter mais força - e não ter medo de usá-la - passa a essas pessoas a seguinte mensagem: "usar a força para conseguir o que quer não será tolerado, e se você tentar fazer isso, não apenas não vai conseguir o que quer, como quem vai sair ferido é você".

Note que, uma vez que esse segundo tipo de violência é usado apenas como uma reação à primeira, é impossível haver violência reativa onde inexiste violência ativa. Mas é possível haver violência ativa onde inexiste a reativa, e é justamente nesses locais onde há mais vítimas inocentes, principalmente pela sensação de impunidade aos que praticam este tipo de violência. A mensagem que se passa para eles é "se eu posso conseguir o que quero praticando violência, por que parar?". O episódio recente da greve da polícia no Espírito Santo foi um exemplo muito claro disto.

Sendo assim, se for possível reduzir a violência ativa (aquela usada com o propósito de dominar) aumentando a violência reativa - isto é, aquela usada apenas para autodefesa - então o resultado será MENOS violência, e não mais. Ou seja: aplica-se certa quantidade de violência para impedir que uma quantidade ainda maior de violência seja iniciada. Aqueles que são contra a ação punitiva podem não vê-la em uma comunidade pacífica. O que eles podem não ver é que a garantia de punição pode ser o suficiente para impedir que a força física sequer seja usada em primeiro lugar. Se a força física não é iniciada, nenhuma reação violenta a ela é necessária.

Um clichê parecido, mas que caminha lado a lado com este, é aquele que diz que "quando um não quer, dois não brigam". Mas isto é apenas uma meia verdade. Para isto ser verdadeiro, aquele que não quer brigar deve ser capaz de se defender. Caso contrário, vira apenas saco de pancadas. Qualquer um que já tenha sofrido bullying na escola sabe que os valentões não estão procurando uma "luta justa", querem apenas mostrar quem é que manda. Valentões normalmente não brigam com outros valentões, apenas infernizam as vidas daquelas crianças mais fracas e incapazes de reagir ou resistir. Este ditado parece simplesmente não levar em consideração a hipótese de que quem quer brigar não passa de um covarde.

Já está na hora de começar a elevar o nível destes debates e começar a discutir estas questões como adultos, e não como se estivéssemos na pré-escola ou criando apenas um bando de crianças birrentas.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A torcida única no futebol carioca demonstra a preguiça e o descompromisso de nossas autoridades em combater a violência

Nossas autoridades não fazem a menor questão de disfarçar sua incompetência e principalmente sua PREGUIÇA em resolver qualquer tipo de problema que surja, ou seja criado peles próprios.

Tudo se resolve com uma canetada. Ou pior, se joga a culpa na falta de educação e põe a solução num futuro muito distante. Lembrando que a educação é provida e regulada pelo estado.

Torcida única não é sequer uma solução paliativa. É uma decisão tão frágil quanto tratar uma fratura exposta com um band aid.

 - Nada impede que torcedores de um time adversário apareçam nos arredores do estádio.

 - Nada impede que torcedores rivais comprem ingressos e vão para o estádio descaracterizados.

 O que essa liminar estúpida pretende é impor um absurdo toque de recolher às torcidas rivais.

 E lembrando somente: quem quer cometer crimes ou violência geralmente não se importa em descumprir leis e canetadas.

Quem é penalizado é o cidadão pacífico.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O BRASIL PRECISA VOLTAR ÀS RUAS!!!

Por: Wilson Agostinho

A corrupção é um vício hospedado no homem desde a sua gênese - a Bíblia conta a história de Adão e Eva, uma Serpente e uma Fruta Proibida. Ela habita a mente humana ombreando com a inveja, com a gula, com a avareza e com suas outras quatro irmãs e se torna um pecado quando, pela força da tentação, ultrapassa a barreira das virtudes.

Assim como as bactérias que habitam o corpo humano e que, ao encontrarem ambiente propício, vencem as defesas do organismo e se transferem ao comportamento dos anticorpos, multiplicam-se e colocam em risco a vida do hospedeiro, a corrupção pode tomar conta de uma parcela significativa do organismo estatal e comprometer a vida de toda uma nação, como ocorre hoje no Brasil.

O Partido dos Trabalhadores - em meio a tantos desserviços prestados ao País, graças à ganância e à soberba com que assaltou o erário - tornou evidentes os efeitos e, principalmente, a abrangência da corrupção que contamina a nossa classe política e dirigente. "Antibióticos" com o potencial de Sérgio Moro e de Deltan Dallagnol e um time especial de Juízes, Procuradores e Policiais Federais, juntamente com a população indignada, no papel de "anticorpos", entraram em ação e passaram a combater o mal. O primeiro resultado da reação foi o impeachment da “presidenta” Dilma Rousseff e a evacuação do PT pela saída dos fundos da história.

Hoje, graças às primeiras prisões e às muitas delações premiadas, os corruptos - como bactérias mutantes - tomam medidas para tornarem-se imunes ao tratamento que irá tirá-los de circulação e que eliminará o caldo de cultura que lhes dá vida: A Operação Lava-jato e as 10 Medidas Contra a Corrupção. Buscam aperfeiçoar seus mecanismos de autodefesa e, tanto no Congresso como no Governo Federal, o instinto de sobrevivência transforma-se em desaforo e caradurismo para fazer face à reação popular e ao tratamento judicial, abusando da paciência do povo e da competência dos operadores da lei.

A indicação para o STF de um jurista cuja isenção de julgamento é, no mínimo, duvidosa e a colocação de amigos ao abrigo do privilégio de foro - atitudes conhecidas e abomináveis, praticadas anteriormente pelo execrado Partido dos Trabalhadores -, põem em xeque a competência do governante para levar a bom termo o mandato que lhe foi confiado por sucessão constitucional, sob aplausos da esperança popular.

Uma reunião realizada na intimidade de uma embarcação entre o candidato a ministro e parte de seus avaliadores autoriza supor a construção de conchavos ao arrepio do interesse do direito, da vontade e da necessidade nacionais. A composição majoritária e a entrega da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a um grupo de políticos relacionados com crimes de corrupção e caixa dois é uma forma insolente de zombar da paciência da população. Não menos sintomática foram as eleições para as presidências da Câmara e do Senado!

O Presidente e o Congresso perderam a cerimônia e estão reagindo às consequências dos ilícitos de que são suspeitos com práticas que a eles se somam. Estão merecendo um alerta oportuno e veemente da vontade popular, nos moldes que lograram frustrar o plano petista de poder e que atribuíram ao atual presidente Michel Temer a tarefa de completar o mandato em curso dentro da lei e da ordem e que mostraram ao mundo que o povo brasileiro acordou e que está atento aos seus interesses.

Porém, aqui faço uma pergunta: onde estão os movimentos de rua nesse momento? Estão quietos demais! Se omitiram? Se acovardaram? Estão vendo todo esse descalabro parados, amuados? Ou querem reforçar o discurso da esquerda de que tais multidões foram reunidas "apenas" para retirar o PT do poder, enquanto os engenheiros que faziam as engrenagens da máquina corrupta do governo lulopetista funcionar, continuam em seus postos? Se cansaram? Estão esperando mais o quê para voltarem às ruas e retomar a pauta de reivindicações para darmos um fim a essa cleptocracia?

Com a palavra e a iniciativa, os líderes e os coordenadores dos grupos patrióticos que protagonizaram históricas manifestações de rua e a abertura das vias de acesso para o novo e árduo recomeço da Nação brasileira!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Porque eu não votaria em Bolsonaro para presidente

A campanha do deputado Jair Bolsonaro (PSC RJ) à presidência do Brasil tem tido um enorme crescimento, apesar de as pesquisas recentes - que devem ser vistas com muita desconfiança - apontarem Lula como o primeiro na preferência dos eleitores pesquisados. O candidato é popular entre jovens nas mídias sociais e entre os defensores da ideia de intervenção militar; esses na maioria, pessoas acima dos 45 anos.

Bolsonaro é visto como a única opção da direita no pleito de 2018, que promete ser um verdadeiro show de horrores em 50 tons de vermelho se verificarmos quem são os demais possíveis presidenciáveis: O já mencionado Lula; os tucanos Aécio Neves, José Serra ou Geral Alckmin - cujo os dois últimos cogita-se nas internas a troca de partido para o PMDB, muito mais provavelmente Serra; temos a "garota melancia" Marina Silva; e o rei dos sofismas Ciro Gomes. Isto os com mais intenções voto nas pesquisas. Dá vontade de beber ao ver esses nomes, certo? Porém, irei me ater ao nome da "única opção da direita", que é o que me interessa aqui.

Já mencionei outras vezes como eu não acredito no discurso liberal que Bolsonaro e seu partido, PSC, vem utilizando desde as eleições de 2014 pra cá quando lançaram o lamentável Pastor Everaldo como candidato à presidência. Bolsonaro em toda a sua vida pública sempre se demonstrou estatista e pouco afeito às ideias liberais sempre se opondo a privatizações e sendo árduo defensor dos governos militares do Brasil todos altamente positivistas e estatistas.

Tenho vários motivos para não jogar meu voto fora com Bolsonaro em 2018 e vou enumerar aqui alguns dos principais deles

Militância virulenta

A militância de Bolsonaro, no caso seus eleitores, não me parecem muito diferentes dos eleitores petistas. Sempre que veem seu mito ser atacado, ou minimamente criticado respondem às criticas com ataques ou argumentos falaciosos (isso não resumem sua retórica a memes). Você consegue imaginar eleitores do Bolsonaro assumindo algum tipo de culpa ou erro cometido pelo candidato? Alias já viram isso acontecendo em episódios onde claramente o deputado se saiu mal no jogo politico como no caso da cusparada de Jean Wyllys?

Não viu e não verá. Eleitores de Bolsonaro nada mais são que petistas de sinal trocado, e jamais admitirão erros ou falhas de seu "mito" e relativizarão seus atos da forma mais vergonhosa que um petista faria para proteger Lula.


Falta de traquejo para articulação e guerra politica

Há uma pergunta que tenho feito a eleitores do Bolsonaro ou apenas pessoas que o considerem uma opção viável anti PT e cujo as respostas tem variado entre o pífio à patética crença que força o item anterior, que é a seguinte:

Bolsonaro tem vários projetos realmente úteis para a defesa do cidadão e para coibir crimes hediondos como estupro. Mas porque esses projetos do deputado nunca passam, ou sequer são votados? Será que é somente porque o congresso é composto de comunistas e ladrões ou porque o deputado possui um poder nulo de articulação politica? Como um candidato que demonstra não ter nenhum traquejo para articulação, negociação poderia ser um bom presidente?

Pensem, os Bolsonaros estão acostumados a fazer quizumba, ataques e criticas mesmo a aqueles que não são seus opositores apenas por receberem alguma critica, como o MBL por exemplo. Que tipo de dialogo Bolsonaro teria para conseguir aprovar seus projetos num congresso, onde tudo indica, ele não terá a maioria, mas sim forte oposição?

E por favor não respondam: Bolsonaro irá indicar alguém para fazer esse trabalho. Não sugeriam que você está defendendo voto num avatar que não irá pessoalmente cuidar dessas negociações que são difíceis e complexas. Foi exatamente isso que fez Dilma cair (pra nossa sorte).

Caso contrário espero que tenham bons nomes para a próxima legislatura e que estejam alinhados quase que subservientemente a Bolsonaro, para votar os projetos que ele irá demandar ao congresso, que não emitam criticas já que o mesmo (principalmente seus filhos) não lidam bem com a menor critica que se faça (O pai curiosamente talvez lide melhor).

Não preciso mencionar a atuação pífia de Bolsonaro no episódio da cusparada que sofreu de Jean Wyllys em pleno congresso e de como ridiculamente caiu num "conto da Rosário" e conseguiu virar réu num processo absurdo apenas por não pensar antes de falar. Só isso demonstra como Bolsonaro é pouco hábil para travar uma guerra politica.


Gestão

Em tempos de João Dória em alta, fica a pergunta: qual a experiência de Bolsonaro como gestor? O que ele já geriu na vida? Ele está apto para o cargo de presidente? Ok que o Brasil elegeu uma mulher que faliu loja de R$ 1,99 e todos vimos a catástrofe que isso nos causou. Não seria o caso de Bolsonaro tentar um vôo mais baixo? Lembrando que com toda a minha pouca afinidade e simpatia ao deputado, acho que sua ausência na câmara federal será um prejuízo ao equilíbrio politico devido o contraponto que ele faz a politicos como Jean e Maria do Rosário.


"Fenômeno Trump"

Temos caído na ideia comum de comparar Donald Trump com Bolsonaro. A própria imprensa brasileira tem feito isso - e o deputado vem se utilizando de alguns artifícios de campanha usado pelo presidente eleito para associar sua imagem a esse fenômeno.

Considero um erro, visto que o "presidente laranja" nunca foi politico e Bolsonaro tem seguidos mandatos. Hoja há um sentimento de insatisfação com políticos em geral e foi isso que levou Trump à vitória dentro de seu partido que o rejeitava até a campanha presidencial contra Hillary. Até hoje a imprensa não anotou a placa do caminhão que os atropelou, e considero um erro cair numa comparação feita por esta mesma imprensa que não entendeu absolutamente nada do que aconteceu.
 De igual mesmo os dois só tem a língua.

O fenômeno pode ser parecido, mas Trump não é politico, ele é ao menos empresario e gestor. Ele sabe pelo menos delegar as pessoas certas para assumir pastas e cargos estratégicos. e principalmente ele entende a guerra politica. Ele sabe ao menos atacar frames usados por adversários. Bolsonaro se limita a "mitar na internet" (o que seria uma lacração invertida) criando picuinhas.

E por último e não menos importante...

Este vídeo




Preciso desenhar e explicar o tamanho da gravidade desse discurso?

Bolsonaro se apresentou como liberal e eu o ataquei como sendo apenas um "liberal de ocasião". Discurso ensaiado por modismo politico. Nós liberais ainda teremos que lidar muito com estatólatras, teocratas populistas e todo tipo de escória politica querendo tirar uma casquinha.

Os liberais sempre defenderão a menor minoria de todas, o indivíduo, e sempre farão oposição a discursos que defendam a imposição da vontade da "maioria" (na verdade, do estado) sobre os demais, como esse de Jair Bolsonaro.

Eu não posso apoiar que uma minoria se imponha para a maioria, da mesma forma que não posso apoiar que uma maioria se imponha para uma minoria para que elas "se adaptem ou desapareçam". Aqui neste vídeo Bolsonaro comprovou o quanto é anti-liberal e acaba por dar argumento à esquerda que o chama de fascista, autoritário e homofóbico. Não tem como defende-lo disso.

Eu não pretendo jogar meu voto no lixo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O BOSQUE DAS ILUSÕES PERDIDAS E A BUSCA DO ÉDEN



Por Kleryston Negreiros

Quem frequenta redes sociais e aprecia discussões políticas deve ter percebido uma postura mais aguerrida em todos os lados do espectro ideológico. São aqueles que defendem – com certo saudosismo ufanista – alguma intervenção militar, alguns que enaltecem um ideal de esquerda anacrônico e fracassado historicamente e há, ainda, os que tentam manter um pouco de sanidade (em ambos os lados, a que admitir) nesse embate. Todos buscando um Éden para chamar de seu e mostrar que é o conhecedor da verdadeira felicidade para os demais. E foi nesses extremos ideológicos que fiquei pensando durante e ao término da leitura do livro O Bosque das Ilusões Perdidas, de Alain Fournier.

O livro é a obra única desse escritor, que morreu no campo de batalha durante a Primeira Grande Guerra – curiosamente num bosque e cercado de mistério, haja vista que seu corpo nunca foi encontrado – e conta a história de Augustin Meaulnes. Narrada por seu amigo, François Seuriel, a trama narra a aventura vivida por Augustin ainda em sua adolescência e que provocou uma busca por toda a sua vida, levando-o a uma existência aflitiva e angústia aos que o cercava.

Durante uma fuga da escola (para buscar os avós de François, filho dos donos da escola local), Meaulnes se perde e vai parar numa misteriosa mansão no meio de um bosque e participa de uma estranha fresta. Nesse lugar é também onde o jovem se apaixona pela bela Yvone deGalais, moça misteriosa que cruza seu caminho durante a mágica aventura. Ao regressar, passa então a buscar obstinadamente o caminho de volta ao bosque e a mansão onde viveu o momento mais feliz de sua vida. Essa busca passa a nortear seus anos fazendo com que se torne mais sombrio. O rapaz acredita que só poderá ser feliz novamente quando encontrar a velha casa e a bela moça por que se apaixonara naquela noite de mistério e magia.

Não pretendo me alongar mais sobre o livro para não estragar a leitura de vocês, mas sim da impressão que essa obra me causou e a que reflexão me levou. A história trata de um jovem que tem como único objetivo retornar a um lugar mágico e idílico onde acredita está sua felicidade. Ele passa a alimentar uma fantasia a partir de suas impressões, formadas, aliás, de poucas informações sobre o lugar, a festa e tudo mais a respeito do ocorrido. É um jovem que se recusa a aceitar o fato de que a vida segue e que a felicidade está em como encaramos a realidade, Meaulnes passa os anos seguintes preso a uma puerilidade, a uma rejeição a um amadurecimento natural por viver obcecado por um sonho.

Por estar preso a uma busca onírica, por querer viver preso a um sonho, quando a realidade o assalta e se depara com o que buscava ao seu alcance, porém, sem a magia de outrora, Augustin acaba por não vivenciar aquilo que acreditava ser sua fonte para ser feliz e foge daquilo que tanto desejava. Ao fugir, leva aos que lhe apreiam também dor e aflição por não entenderem o que poderia ainda faltar ao jovem sonhador.

Foi essa busca por um passado idílico, pelo desejo de retorno a uma possível época mais feliz e mágica do livro que me levou a refletir sobre os atuais embates ideológicos. Em ambos os lados, vejo pessoas que idealizam o passado, buscam o retorno a uma época que consideram melhor e mais feliz, uma época onde tudo era mais perfeito e todos os sonhos eram possíveis. São pessoas que olham para trás com o mesmo sentimento do protagonista do livro. Acreditam que a festa no bosque (tempos passados) foi o ápice de sua felicidade e dedicam suas vidas a retornar a essa mansão onírica onde, acreditam, repousa todo o fim dos infortúnios.

Da mesma forma que ainda há (mesmo com a ascensão da new left) de saudosos de uma época de luta, quando ainda vivíamos o calor da Guerra Fria, quando a esquerda ainda possuía certo charme e a burguesia flertava com ditadores sem abrir mão do conforto capitalista, que ainda tentam implantar uma ditadura do proletariado e ainda tentam levantar discursos de lutas de classe, há também o seu antagonismo mais direto, seu nêmesis, a outra face. São as viúvas da ditadura. Aqueles que clamam por uma intervenção militar, defendem a ideia de que nessa época – uma época mágica, onde o país era grande e tudo beirava a perfeição – o país vivia uma espécie de época áurea, acreditam na sua mansão mágica, no seu bosque perdido.

Ambos ignoram os males de suas ideias, ambos negam as mortes, a supressão das liberdades individuais, ignoram o Estado grande, o atraso em relação às grandes nações, ignoram que, independentemente de quem defenda, uma ditadura é sempre algo abjeto. Em defesa dos seus sonhos, de suas ilusões perdidas, não olham de forma racional, clamam algo a partir de emoções distorcidas por uma busca de felicidade perdida, olham para trás como Meaulnes olhava para a Mansão, para o bosque e para a bela Yvone: como um sonho mágico, alheio ao mundo real.

Foram eles que me vieram ao pensamento. Essas pessoas que clamam por uma ditadura para chamar de sua, que querem – em detrimento de todo avanço (apesar de tudo) que tivemos – viver um passado que não cabe mais, querem viver uma ilusão por acreditarem nessa busca pelo Éden perdido nos anos 1960. É lá que buscam sua felicidade. É lá que acreditam que tudo se perdeu e que deve se voltar para resgatar algo que, acreditam, foi destruído. Ignoram que não é a busca pelo passado mágico que se atinge a plenitude e sim vivendo a realidade como ela é e trabalhando para que um mundo cada vez mais livre venha a tornar-se um mundo real e não apenas mais um Éden. Até a próxima.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 
Também é membro do grupo Biblioteca Liberal-Conservadora

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CÂNTICO – O HINO DE LOUVOR AO INDIVÍDUO




Por Kleryston Negreiros

Fui presenteado pelos pais de um aluno essa semana com uma pequena joia da Ayn Rand. Devorei o livro em um dia e aqui estou para falar dessa obra que me impactou bastante e é a primeira que a autora idealizou, ainda em sua adolescência nos primeiros anos do regime socialista na Rússia, e que é um prefácio para o que ela iria defender no decorrer de sua vida e em seus romances mais conhecidos – A Nascente e A Revolta de Atlas.

E o texto é uma joia não pela qualidade da escrita ou rebuscamento do texto, mas pela sua atualidade quase profética acerca de como as pessoas escolhem cada vez mais abrir mão de suas liberdades ou de suas identidades como indivíduos para se tornarem parte de “algo maior”, para vivarem apenas mais uma célula de algum coletivo ou outro termo abstrato da moda.

A narrativa, por ter sido pensada por uma então adolescente, é bem simples e até pueril. Com uma estrutura que (para mim) está mais para um conto do que propriamente um romance, o livro trata de um indivíduo que luta por sua individualidade e a percepção de si mesmo numa sociedade distópica onde o que prevalece é o desejo comum, a vontade da maioria, o mais importante é o todo coletivo e não o desejo individual. Esse jovem luta para ser apenas ele mesmo.

Ambientada num futuro não identificado, a sociedade elimina todos os traços de individualidade, as palavras que carregam esse sentido, por exemplo, foram extintas, não existe EU ou TU, apenas NÓS e ELES. Até mesmo nomes próprios deixam de existir, como pode ser visto desde o início da trama pelos nomes das personagens: o protagonista se chama Igualdade 7-2521.

Igualdade 7-2521 carrega desde cedo o estigma de ser diferente e se perceber diferente numa sociedade que busca igualar a todos. Mais alto que os demais e também mais inteligente, é designado a trabalhar com varredor de rua em detrimento de sua inteligência pois alegam, é assim que ele será mais útil para todos. Só que não é isso que ele quer e por ter uma vontade que é relevante só a ele, Igualdade passa a achar que é amaldiçoado. A trama se desenrola rapidamente desde sua infância até o momento que se torna um proscrito e escolhe viver longe dessa sociedade com a mulher que ama (relacionamentos são proibidos por acarretarem escolhas individuais) e descobre a palavra EU.

Como disse, o texto é bem simplório, mas é um assunto pertinente e que, por trás da simplicidade da escrita, revela algo assustador em nossa sociedade que já era exposto por Rand ainda nos anos 1930 que é a escolha de indivíduos livres preferirem abrir mão de sua liberdade plena, de sua identidade para abraçar ideias ou bandeiras que os anulam como ser e faz com que desejem ser apenas um rosto compondo uma face abstrata ideológica.

Sua atualidade aparece ao percebermos como pessoas passam a lidar com outras através de slogans e reducionismos de características. Quando pessoas, que sarcasticamente chamo de “pessoas do bem” forçam uma conduta coletiva de todos a comerem comida orgânica ou ajudar uma criança faminta na África, quando pessoas te forçam a aceitar aquilo que você (por princípios ou quaisquer que sejam suas razões) acha errado e você passa a ser tido como algum tipo de pária por não seguir o coro dos contentes. São pessoas que passam a medir seus atos não por seus próprios padrões ou juízo de valor, mas porque a sociedade ou a maioria ou o coletivo assim o quer.

E isso é muito perigoso. Perigoso porque a espontaneidade, as escolhas individuais e tudo que é relacionado a uma vontade de apenas um indivíduo passa a ser condenado porque não condiz com o que se espera dele, já que ele faz parte de uma sociedade. É perigoso ao percebermos que tudo, até mesmo a profissão, deve ser pensada e escolhido(a) não porque lhe apetece ou, sei lá, por que você está pensando no próprio lucro e sim pelo bem comum.

É uma sociedade que cobra de cada um a responsabilidade de fazer pelo outro e nunca para si próprio. É um ambiente onde aquele que defende algo é logo interpelado que isso é errado porque não privilegia a todos. É a anulação do esforço, do mérito, do merecimento, o fato de existir já corrobora o direito de ter tudo igual a todos. E se tudo pertence a todos, nada é de ninguém.

Como todos os livros de Ayn Rand, esse também é um alerta. Claro que, sendo distopia, há o exagero típico da ficção, mas a mensagem é clara: não há liberdade ou felicidade dentro de coletivos. Não há prazer ou vida plena quando a vontade individual é anulada para privilegiar a todos, ao grupo, ao coletivo. Tudo parte do indivíduo e sua vontade de ser melhor e proporcionar o melhor para si e assim todos acabam ajudando-se mutuamente por vontade própria. Tudo parte do indivíduo, mesmo essas abstrações que tentam se tornar entidades independentes tendo o homem como célula. O indivíduo é concreto. Sociedade, coletivo, células, grupos, são abstrações que dependem antes de tudo do ser concreto para existir. Até a próxima.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

Também é membro do grupo Biblioteca Liberal-Conservadora

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

DOUTRINAÇÃO, INVASÕES E FRANKEINSTEIN – O MONSTRO QUE IRÁ NOS DESTRUIR



Por Kleryston Negreiros

Neste final de semana, 191 mil estudantes estarão impedidos de fazer o ENEM – para muitos, a maior oportunidade de suas jovens vidas até aqui, a chance que ingressarem num curso superior e melhorarem de vida. E serão impedidos devido às ocupações que vem ocorrendo por todo o país (mais especificamente em Estados que se opuseram em algum momento ao governo que saiu) em escolas públicas promovidas por alunos que se declaram apartidários e que lutam por uma melhor educação.

Não vou me ater ao paradoxo irônico que essa turba profere. Na verdade (e é do que pretendo tratar), desde que essas invasões começaram, em 2015, não pude evitar a comparação com o sentido de uma obra que li há muitos anos, antes de entrar na faculdade e que rememoro toda vez que vejo a ordem das coisas sendo invertida e sendo promovido o caos. Sim, a obra é Frankeinstein, e, não, não enlouqueci, como pode achar o leitor dessas mal traçadas linhas.

O que me remete ao livro de Mary Shelley é justamente o ponto que levou a essa insanidade no país: a subversão da ordem natural, um espírito jovem e imprudente tomando as rédeas de algo que não lhe compete, a arrogância juvenil de não aceitar os fatos como são ou como devem ser e, de forma caprichosa e mimada, tentar desenhar o mundo à sua imagem e semelhança – algo barulhento e imprudente.

No livro, temos a história do jovem Victor Frankeinstein. Rico, com uma família feliz e estrutura, uma noiva que o ama e aspirante a médico, uma vida sem atribulações ou sustos. Ao ingressar na Universidade de Viena, toma contato com uma teoria de um de seus professores que o impacta bastante: o uso da eletricidade para reavivar mortos. Como todo jovem estudante, fica empolgado com essa teoria tão inusitada e passa a assistir as aulas desse docente.

Tudo ia bem até que a tragédia bate à sua porta e sua amada mãe morre. Não suportando a dor da perda e tentando vencer a morte de uma vez por todas, o rapaz retorna ao seu quarto em Viena, debruça-se sobre os estudos desse professor e tenta trazer à vida um homem criado a partir de cadáveres. Depois de profanar túmulos, isolar-se de todos e chegar à beira do precipício da insanidade, ele consegue dar vida a um ser grotesco, abjeto e assustador composto por partes de corpos mortos. Victor fica assombrado com o que criou e foge, deixando sua criatura recém acordada dos mortos à própria sorte.

O monstro sobrevive, e com o avançar da narrativa vai tomando consciência do que é e quem o criou. Determinado, vai atrás de seu “pai” para que o reconheça como sua criação e ao ser rejeitado por Frankeinstein ele promove uma carnificina em sua família matando pai, irmão, noiva, deixando atrás de si um rastro de morte e miséria. Na narrativa Victor é consumido por seu maior pecado: subverter a ordem natural, sua desgraça é a criatura que trouxe ao mundo por não aceitar as leis naturais e o preço a pagar foi a sua aniquilação pelas mãos do monstro que criou.

E é assim que eu vejo esses jovens militantes. Assim que eu vejo essas invasões. São pequenos Victors insuflados por professores irresponsáveis que os ensinam que a ordem natural deve ser subvertida e negligenciados por pais omissos e permissivos que criam pequenos tiranos incapazes de lidar com frustrações e a ordem estabelecida. São alçados à categoria de engenheiros de um novo mundo, os baluartes da nova era e são instigados com teorias espúrias de caos e miséria. Assim como Victor Frankeinstein, a arrogância desses meninos e meninas levam-nos a atos impensados que causam mais danos que benefícios.

Olhando as escolas ocupadas é possível perceber o poder destruidor desses garotos. O monstro que vai devorando o patrimônio público, as vidas desses jovens e os que são prejudicados por eles é incomensurável. Da mesma forma que a família Frankeinstein foi uma vítima da vaidade do jovem médico, os alunos que perderam aula e terão que fazer a prova dentro de um mês ou até os que farão agora e perderão a oportunidade de se preparar um pouco mais são tão vítimas quanto a família do livro.

Já esses jovens invasores não. Porque num mesmo ambiente de militância, como são essas escolas, há também aqueles que não se deixam contaminar pela a insanidade. Esses pequenos tiranos fazem uso de um discurso que legitima seus mimos e arrogância e essa minoria de bárbaros se acha no direito de decidir o destino de muitos.

Sim. Há uma relação com a obra. Não na estrutura ou diretamente, mas na loucura, na irresponsabilidade, na arrogância. Há relação no caos provocado por um gesto tresloucado e mimado de alguém que não aceita adaptar-se ao mundo, mas ao contrário, quer adaptar o mundo ao seu universo particular. Há proximidade de narrativas entre alguém que não aceita o fato de que há uma ordem, seja natural, seja social, de que sua imprudência não é isolada. E sim, não isento professores, sindicatos, políticos e toda uma corja que se esconde atrás de crianças para ter seus intentos, mas isso, é assunto para outra coluna. Até a próxima.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

Também é membro do grupo Biblioteca Liberal-Conservadora

Millor Fernandes:

Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.